RÉQUIEM A GAIA - IN TOTUM |
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Desde os anos 1980, a temática ecológica é constante em minha produção artística, assim como a incorporação de placas de computadores e outros acessórios tecnológicos e eletrônicos. A série de trabalhos denominada RÉQUIEM A GAIA - IN TOTUM trata da situação atual de degradação ambiental no planeta provocada pelas ações do ser humano ávido por enriquecimento imediato e conforto material supérfluo. Para a composição dos trabalhos desta série utilizei a interpretação artística de projeções cartográficas da seguinte forma: •
6 quadros circulares representam diversas regiões do planeta
e a poluição ambiental pertinente a cada uma. |
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2 quadros circulares apresentam os pólos terrestres. |
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| • 1 quadro circular representa todos os continentes vistos simultaneamente e preenchidos com pedaços de placas de computador completamente sujas e poluídas. | |||||
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| • 1 quadro circular (frente e verso) representa a real natureza e beleza do planeta. | |||||
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1 quadro circular, pintado em cores soturnas, representa a imagem
do planeta sem água. |
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| • 2 “Livros de Gaia”, cujas páginas são placas de computador + objetos, contam o processo do desenvolvimento tecnológico humano e sua relação com o planeta, Gaia. | |||||
| • 2 quadros objetos: “A Máquina do Juízo Final” e “O Equilíbrio Vital” foram executados tendo por base um moedor de carne e uma balança, e representam a cosificação de valores filosóficos universais e a falta de respeito ambiental ao planeta. | |||||
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Em vários quadros também é pintado, como um detalhe, o mapa da região de forma realista, para criar um elo que fecha o quadro em si mesmo, ou seja, usando a metalinguagem: o próprio quadro é um detalhe do quadro. Toda a série de trabalhos foi realizada em técnica mista: óleo + objetos sobre madeira ou sobre esfera de plástico. Em algumas obras usei filme plástico de PVC (policloreto de vinila) para criar texturas e efeitos visuais peculiares que, comparados aos demais elementos colados nos quadros, provocam a curiosidade do espectador. Ao fundo de alguns quadros, pintei mãos e pés (que representam a ocupação humana do planeta). Em outros manuscrevi um texto, que segue padrões lineares compositivos específicos de cada trabalho. Este texto, Carta do Chefe Seattle, é conhecido mundialmente e tem uma história muito curiosa. Os interessados na íntegra do texto podem acessá-lo em meu site: Carta do Chefe Seattle. |
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Vários elementos são incorporados às obras com a intenção de provocar reflexões filosóficas sobre a poluição do meio ambiente e o consequente declínio da qualidade de vida do Homem no planeta. Dentre os objetos incorporados aos quadros há vários elementos do nosso cotidiano tecnológico, tais como: placas de computador (serradas e esmerilhadas, em pedaços ou em cacos), outros componentes eletrônicos (processadores, chips, alto-falantes), cartões de crédito, relógios, chaves, cadeados, cúpulas de relógios, balas de revólver, bijuterias, moedas, palitos de fósforo queimados, cascas de lápis apontados, farelos de borracha, cacos de vidro etc; além de elementos da natureza, como: sementes, conchas, caracóis, terra, areia, pedras, casco de tatu etc. Nesse
sentido, alguns quadros apresentam as regiões do planeta preenchidas
com restos de objetos que se relacionam com as características
de cada região, a fim de representar a poluição
causada pelo consumo excessivo de materiais processados pela indústria
humana, ou seja: |
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Os mapas-múndi apresentam todas as regiões do planeta preenchidas com cartões de crédito (símbolo maior do consumismo desenfreado da sociedade contemporânea); chaves (símbolo de abertura ou encerramento de caminhos humanos no curso da espécie sobre a Terra) e placas de computador (símbolo da tecnologia atual). |
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No “Sem Água”, usei pequenos entulhos para representar os continentes e que somado à pintura transforma-se em uma representação dramática de uma imagem, construída por meio de radar e divulgada pela Agencia Espacial Européia, do que seria a Terra sem a água. Essa imagem está sobreposta ao um círculo de cacos de vidros mostrando o que seria os limites da água no planeta. | ||||
Em síntese: Em minha produção artística, procuro sempre unir a razão à emoção (base de meu processo criativo), para criar uma obra que faz uso de técnicas tradicionais incorporadas a elementos da sociedade atual e que estabelece diversas relações metonímicas que provocam questionamentos no espectador. Meu objetivo é que ele tire suas próprias conclusões sobre o tema abordado por meio de uma linguagem subjetiva. O resultado é a cumplicidade ou a negação, não importa, pois ambas formam um tipo de envolvimento que remetem à essência do que tento transmitir. Outono/2010 Walter
Miranda |
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