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meu trabalho sobre as sinfonias foi feito a partir de sugestões fornecidas
pelo material musical, selecionadas pelo sensível e "filtradas" pelo
racional. O resultado, talvez questionável, está aí. Porém vale destacar
como mais importante o processo criador, desde que trouxe à
superfície mecanismos mentais e sensíveis que eu ignorava. O trabalho
contínuo e disciplinado sobre um tema pode trazer conseqüências outras
que as esperadas; por exemplo, cabe uma suspeita íntima:
- se a música foi determinante de um resultado, ou álibi para liberar
outras coisas, ou todavia, um catalizador. Desse ponto de vista a
música do Beto foi Arte magnífica; vivificante e criadora de "Arte
derivada" através de outros artistas.
- Eis a multiplicação dos pães. Assim, sou grato à situação que trouxe meu próprio
enriquecimento interior abrindo novos caminhos e mistérios.
No que diz respeito à técnica, os trabalhos foram feitos de forma
completamente artesanal, incluídos o projeto e a realização dos mecanismos. O material utilizado é quase que exclusivamente
alumínio fosqueado com micro esferas de vidro.
Isto obedece à minha simpatia natural pelo alumínio, que apesar de
não ser muito resistente, pela sua leveza, permite estruturas liberadas.
Do mesmo modo se explica a montagem parafusada e a utilização de alguma
peça de sucata. (Beethoven usava processos similares como no caso
da "Ode à Alegria" de Schiller que, só depois de muito tempo veio
utilizar como parte da nona sinfonia).
Quando durante o processo algum trabalho tomava configurações próprias
independentes das minhas intenções, fiz questão de respeitá-las. Assim,
por exemplo, o movimento do pássaro da Pastoral "pedia" (como um amigo me fez notar) uma solução
utilizando a ressonância mecânica, a qual foi aceita e realizada.
Gracias, Armano.
Cabe agradecer também a meus companheiros do grupo, aos amigos e
à MARILENA pelo estímulo e pela paciência.
E ao mestre Beethoven... que me perdoe.
1985
Gia |