Walter Miranda
Artista Plástico

Trabalhos do Artista

Listando 12 itens – Série

Projeto Beethoven

Transposições Sinfônicas


PROJETO - Três interpretações individualizadas sobre as nove sinfonias de Beethoven, mais três manifestações, baseadas no desenvolvimento das nove anteriores.


DESENVOLVIMENTO - Foi feito um estudo, em conjunto, sobre a vida e obra de Beethoven, para se passar efetivamente à execução dos trabalhos que consistiu em cada artista, isolado dos outros, ouvir as sinfonias, fazer um trabalho concernente a cada uma e mais três trabalhos nos quais houve a possibilidade de se usar total liberdade de criação, tendo como base principal a experiência adquirida na execução dos trabalhos anteriores.


 


Maria Bertoldi, Roberto Giannecchini e Walter Miranda

Transposições Sinfônicas Por Enock Sacramento


Sinfonia é uma obra musical independente, executada por orquestra de corda e de instrumentos de sopro e percussão, desenvolvida geralmente em quatro movimentos, o primeiro dos quais construído como forma sonata. A sinfonia moderna é, na verdade, uma grande sonata para orquestra.


Genero musical criado por volta de 1750, a sinfonia teve muitos grandes cultores, como Haydn, Mozart, Schubert, Mendelssohn, Schumann, Brahms, Franck, Tchaikovski, Dvorak, Bruchner, Mahler, Berlioz, Liszt, Sibelius, Prokofiev, Stravinski e outros. Sobre estes mestres, paira a figura gigantesca de Beethoven, o maior compositor sinfônico de todos os tempos e uma das personalidades mais poderosas de toda a história das artes.


Beethoven legou à humanidade 9 sinfonias que atravessam os anos sem sinais de desgaste, como obras de supremo e permanente valor artístico. A influência de Beethoven sobre compositores do século XIX e mesmo XX, foi avassaladora e o fascício de sua obra extrapola o domínio da música para manifestar-se, até hoje, em vários campos da criação artística.


Em 1981, o pintor Walter L. L. Miranda convidou alguns artistas plásticos a criar obras referenciadas ou inspiradas nas nove sinfonias de Beethoven. Quase três anos depois, ele próprio, Maria Bertoldi e Roberto Giannecchini (GIA) mostram o resultado desta experiência que os empolgou. Durante o desenvolvimento da série, convencionaram que, além dos nove trabalhos básicos, cada um produziria mais três, dando sequência livre ao processo criativo.


Personalidades de formação, informação e temperamento diferentes, cada um criou dentro de sua linha e os resultados são mais que satisfatórios: eles colocam problemas fundamentais da criação artística e se aproximam da metalinguagem da crítica, na medida em que criam obras referenciadas em outras obras de arte. Suas posturas criativas assemelham-se às vezes a certos comportamentos do próprio Beethoven, cujo posicionamento profundamente intelectual transforma alguma de suas obras ou parte delas antes em visões espiritualizadas da vida do que em projeções diretas do seu fluir.


WALTER L. L. MIRANDA projetou nos trabalhos que realizou sobre papelão sua própria personalidade, rica e complexa. E o fez, ao mesmo tempo, de forma racional e apaixonada. Uma personalidade atenta aos progressos significativos do conhecimento e, aos desatinos praticados por segmentos da sociedade em nome de ideais duvidosos, profundamente preocupada com os problemas sociais e o destino do homem na terra. No conjunto de sua obra, sente-se que fica uma mensagem de esperança.


MARIA BERTOLDI deixou-se impregnar pelo componente romântico que coexiste com o sentimento trágico no conjunto das sinfonias de Beethoven. Plasmou a vida que se respira nestes poemas sinfônicos mediante representações da paisagem urbana que se vê das janelas de sua casa-ateliê, no bairro de Água Fria, em São Paulo. Trabalhou mais na linha poética da Sétima Sinfonia do que na vertente trágica da Sinfonia do Destino, a Quinta.


GIA construiu uma obra belíssima utilizando em suas esculturas-objetos perfís de alumínio fosqueado e sucatas de computadores, a elas incorporando elementos fornecidos pela tecnologia moderna como lâmpadas fluorescentes, fibras óticas rígidas, fios de poliuretano, pequenos motores e temporizadores. Algumas peças são fixas, outras se movem. A Sexta Sinfonia – A Pastoral – foi exemplarmente sintetizada na figura de um pássaro de alumínio que “voa” suavemente, movida por um motor de 18 watz provido de um sistema de ressonância mecânica, acionado por um temporizador.


O conjunto dos trabalhos apresentados pelos três artistas tem a marca de sua origem Beethoveniana: o espírito de fé na arte e na vida que ela reflete. É como se eles repetissem, em outras linguagens, os versos da ODE À ALEGRIA, de Schiller, no final da Nona Sinfonia:


“MULTIDÕES, CHEIO DE AMOR EU VOS ABRAÇO, / AO MUNDO INTEIRO ENVIO ESTE BEIJO...” 


 


Enock Sacramento – São Paulo, Natal de 1984


Membro da Associação Brasileira dos Críticos de Arte

PROJETO BEETHOVEN

 


PROJETO BEETHOVEN


Em 1981, convidei dois artistas plásticos amigos meus, Maria Bertoldi e Roberto Giannecchini, para criarmos obras referenciadas e inspiradas nas nove sinfonias de Beethoven. Para isso, passamos dois anos estudando a vida e obra dele e um ano executando as obras plásticas ao ouvir as sinfonias. Ou seja, o estudo sobre Beethoven foi feito em comum, mas a criação das obras plásticas foi feita individualmente a fim de evitar qualquer influência mútua entre os participantes.


A ideia era ouvir individualmente cada sinfonia e criar uma obra para cada uma delas. Como todo o processo nos daria certa “intimidade” com as sinfonias, cada um faria mais três obras como se elas fossem sequência das nove sinfonias.


Os doze trabalhos que criei para o projeto, denominados “Transposições Sinfônicas”, foram pintados ouvindo as sinfonias e respeitando a minha concepção artística. Cada obra é dividida em três partes. Na parte superior (intuitiva), eu escolhi as cores para cada sinfonia ao ouvir cada uma delas. No centro de cada quadro, usei parte da partitura da sinfonia concernente e na parte inferior, escolhi a temática e as imagens que me vinham à mente à medida que ouvia cada sinfonia. Assim, os doze trabalhos foram surgindo espontaneamente ao fluir das sinfonias.


Após os três anos de estudos e execução dos trabalhos, o projeto foi exposto no Salão de Exposições do Centro Cívico de Santo André; no Museu de Arte Contemporânea de Americana, na Galeria de Arte Municipal de Guarujá e na Pinacoteca do Estado de São Paulo.


Walter Miranda – 1984/2020


 


Projeto Beethoven - Obras de Maria Bertoldi



 


 


  Foi apenas o registro de um momento. O momento maravilhoso vivido durante uma sinfonia de Beethoven. E fui conhecendo e fui sentindo e ouvindo as sinfonias e tentando colorir os mais fantásticos sons dessas verdadeiras fantasias sinfônicas. Um sonho vivido. Um verdadeiro vôo ao mundo fantástico dos sons musicais de Beethoven onde tento acompanhá-lo com meu pincel sobre a tela azul nessa doida revoada de sons. As 9 Fantasias Sinfônicas Beethovenianas mais três trabalhos, foi tudo que restou...         


                                                                                                                                                    Maria Bertoldi - 1984


 


Projeto Beethoven - Obras de GIA, Roberto Giannecchini



 


 


  O meu trabalho sobre as sinfonias foi feito a partir de sugestões fornecidas pelo material musical, selecionadas pelo sensível e "filtradas" pelo racional. O resultado, talvez questionável, está aí. Porém vale destacar como mais importante o processo criador, desde que trouxe à superfície mecanismos mentais e sensíveis que eu ignorava. O trabalho contínuo e disciplinado sobre um tema pode trazer consequências outras que as esperadas; por exemplo, cabe uma suspeita íntima:




    • se a música foi determinante de um resultado, ou álibi para liberar outras coisas, ou todavia, um catalizador. Desse ponto de vista a música do Beto foi Arte magnífica; vivificante e criadora de "Arte derivada" através de outros artistas.





    • Eis a multiplicação dos pães. Assim, sou grato à situação que trouxe meu próprio enriquecimento interior abrindo novos caminhos e mistérios.



No que diz respeito à técnica, os trabalhos foram feitos de forma completamente artesanal, incluídos o projeto e a realização dos mecanismos. O material utilizado é quase que exclusivamente alumínio fosqueado com micro esferas de vidro. Isto obedece à minha simpatia natural pelo alumínio, que apesar de não ser muito resistente, pela sua leveza, permite estruturas liberadas. Do mesmo modo se explica a montagem parafusada e a utilização de alguma peça de sucata. (Beethoven usava processos similares como no caso da "Ode à Alegria" de Schiller que, só depois de muito tempo veio utilizar como parte da nona sinfonia). Quando durante o processo algum trabalho tomava configurações próprias independentes das minhas intenções, fiz questão de respeitá-las. Assim, por exemplo, o movimento do pássaro da Pastoral "pedia" (como um amigo me fez notar) uma solução utilizando a ressonância mecânica, a qual foi aceita e realizada. Gracias, Armano. Cabe agradecer também a meus companheiros do grupo, aos amigos e à MARILENA pelo estímulo e pela paciência. E ao mestre Beethoven... que me perdoe.


 


                                                                                                                                      Roberto Giannecchini - 1984


 


Projeto Beethoven - Obras de Walter Miranda - TRANSPOSIÇÕES SINFÔNICAS



 


 


 Os meus trabalhos obedecem a uma linha mestra que se resumiu em ouvir diversas vezes uma sinfonia à medida que compunha as partes do trabalho referente a essa sinfonia. Assim foi feito para cada uma das nove sinfonias.



 


Cada obra é dividida em cinco partes:


-          A parte superior, intuitiva, foi definida para a manifestação espontânea da minha sensibilidade. Em todas as obras, tanto a escolha das cores como sua aplicação na tela com pinceladas expressivas sempre ocorreu ao ouvir a sinfonia concernente a cada transposição.


-          No centro de cada quadro, desenhei um pentagrama com um trecho da sinfonia concernente. Ele tem a função de fazer a intersecção entre as partes superior e inferior dos quadros, mas também liga entre si as obras do conjunto e funciona como uma linha visual melódica devido aos movimentos que apresenta quando todos os trabalhos são colocados lado a lado.


-          Para a parte inferior dos quadros escolhi a temática e as imagens à medida que ouvia cada sinfonia, associando-as ao sentimento provocado pela música com as situações que me incomodavam naquele momento.


-          Outra parte contém trechos de escritos que transcrevi de diversos autores, da bíblia e mesmo textos pessoais. Cada texto foi escrito e escolhido também ao ouvir a sinfonia concernente e tem a função de comparar algo que vem sendo dito há milênios por sábios, profetas ou intelectuais, com a realidade das imagens de cada quadro que representam.


-          Em cada quadro há também uma parte triangular, onde anoto fórmulas físico-matemáticas  representativas do desenvolvimento científico do ser humano; a meu ver, uma das poucas coisas positivas que alcançamos em nossa busca interior.


 


Após a execução das nove transposições sinfônicas, criei mais três trabalhos que fluíram espontaneamente enquanto ouvia sequencialmente todas as sinfonias de Beethoven.


Hoje, após tantos anos concluída a série, percebo quão forte é a analogia entre as preocupações humanitárias de Beethoven e as minhas preocupações com as ações e inconsequências praticadas pelo ser humano contra o próprio ser humano e contra o planeta Terra.


 


 


Walter Miranda – 1984/2020


 


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