Walter Miranda
Artista Plástico

Trabalhos do Artista

Listando 185 itens – Temática

Questões Filosóficas

Admirável Nova Idade Média - O enobrecimento do homem - 2

2020

    – Questões Filosóficas

    – Questões Políticas e Sociais

    – Admirável Nova Idade Média

Admirável Nova Idade Média – Novo Corona 1.9

2020

    – Obras digitais

    – Questões Filosóficas

    – Admirável Nova Idade Média

Da série Projeto Gaia: O coração de Gaia - 2

2020

    – Questões Filosóficas

    – Projeto Seattle

    – Réquiem a Gaia

Da série projeto seattle: Os irmãos do homem - 2

2020

    – Questões Filosóficas

    – Projeto Seattle

    – Réquiem a Gaia

EXALTAÇÃO A GAIA - XXI

2018

    – Questões Filosóficas

    – Exaltação a Gaia

EXALTAÇÃO A GAIA - XXII

2018

    – Questões Filosóficas

    – Exaltação a Gaia

Réquiem a Gaia - Fecundationis Artificiosae

2018

    – Objetos

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia - UTI de Foucault

2018

    – Objetos

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Objetos

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – Avesso do avesso

2018

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – Em berço esplêndido.

2018

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – In Totum 8

2018

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – Torre de Babel

2018

    – Objetos

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Objetos

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – Universalis Cosmographia - II

2018

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – Universalis Cosmographia – I

2018

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Réquiem a Gaia

SEDES SAPIENTIAE IV

2018

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Outras

Livro do Porto

2017

    – Objetos

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Livro de Gaia

    – Objetos

    – Outras

Nada de Novo no Front III com Alma

2017

    – Questões Filosóficas

    – Exaltação a Gaia

    – Projeto Seattle

O nosso lixo eletrônico de cada dia!

2017

    – Objetos

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Objetos

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – Cartografia romântica

2017

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – In Totum 5

2017

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – In Totum 7

2017

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – In Totum 8

2017

    – Questões Filosóficas

    – Cartografias de Gaia

    – Réquiem a Gaia

A segurança nossa de cada dia - II

2016

    – Questões Filosóficas

    – Admirável Nova Idade Média

Bosch + 500 - O juízo final

2016

    – Questões Filosóficas

    – Outras

Confúcio e as Cinco Virtudes do Homem Sábio

2016

    – Questões Filosóficas

    – Outras

Os infinitos universos de Giordano Bruno

2016

    – Questões Filosóficas

    – Outras

As quatro estações do ano

2015

    – Questões Filosóficas

    – Outras

Mais obras 'Questões Filosóficas'

Catálogo Cartografias de Gaia

Catálogo da exposição Cartografias de Gaia realizana na galeria Nilton Zanotti do Palácio das Artes em Praia Grande e no Centro Cultural Correios em São Paulo.

Confúcio e as Cinco Virtudes do Homem Sábio

 


A UNESP, Universidade do Estado de São Paulo, por meio de parceria com o Instituto Confúcio, convidou 15 artistas para participar do projeto De Olho na China. Cada artista recebeu um exemplar do livro Os Analectos, para ler e criar um trabalho baseado nos ensinamentos de Confúcio.


Ao ler o livro percebi que Confúcio se baseia em três temas (estudo, amizade e homem nobre) e que cinco fatores são constantes no sistema cognitivo de seus ensinamentos, a saber:


5 elementos: metal, água, madeira, fogo e terra.


5 cores: branco, preto, verde, vermelho e amarelo.     


5 qualidades humanas: gentil, bondoso, cortês, frugal e humilde.


5 órgãos: pulmão, rins, fígado, coração e baço.


5 emoções: tristeza, medo, irritabilidade, alegria e ansiedade, reflexão e preocupação.


Curiosamente, os elementos estão correlacionados com as cores: metal = branco; água = preto; madeira = verde azulado; fogo = vermelho e terra = amarelo.


Tendo este princípio numérico em mente, idealizei uma composição geométrica utilizando retângulos e triângulos que atuam como elementos estéticos e se repetem sempre na mesma quantidade. Estes retângulos e triângulos servem de base para incorporar placas de computador, ideogramas chineses representando as cinco emoções abordadas por Confúcio e referências visuais relativas aos elementos da natureza; cores principais; qualidades humanas etc.


Além de conceitos chineses também incorporei ao trabalho conceitos ocidentais que costumo usar normalmente em meus quadros. Por isso, em cada retângulo, usei silhuetas de bailarinos que direcionam o olhar do espectador para alguns elementos visuais presentes em cada parte do quadro e no centro dele inclui uma silhueta, que lembra o homem vitruviano. Nele acrescentei um sexto ideograma que pode ser traduzido como “sábio e homem inteligente”.


Na base do quadro coloquei a silhueta de um computador, duas mãos segurando uma pena e um lápis, e incorporei uma caneta, numa alusão de que todas as qualidades humanas abordadas por Confúcio dependem exclusivamente da educação, não importa a época.


Na parte superior do quadro coloquei as imagens pintadas do planeta Terra, da Lua e do Sol, uma tríade que acompanha meus trabalhos há muito tempo e procura demonstrar que, acima de tudo, fazemos parte de um sistema extremamente harmonioso e equilibrado e superior às nossas pretensões de domínio da natureza.


 


Técnica: Óleo + objetos sobre madeira.


Dimensões: 73 cm X 69,5cm


Ano: 2016


                                                                                                                                                      Walter Miranda -2016

BOSCH + 500 – O JUÍZO FINAL

Esse é um tríptico em comemoração aos 500 anos da morte do famoso pintor holandês Hieronymous Bosch.


Ele representa uma releitura da pintura de Bosch denominada O juízo final, inclusive na montagem física do painel articulável que se abre como se fosse uma janela.


A comparação temática entre os dois trabalhos se baseia nas questões sociais do final da Idade Média, representadas por Bosch em seu tríptico, e várias situações conflitantes do século XXI, tais como conflitos bélicos, devastação ecológica, desrespeito à vida, pandemias etc.


 


Técnica: Óleo + objetos sobre tela sobre madeira.


Dimensões: 73 cmX58cm


Ano: 2016


                                                                                                                                                         Walter Miranda - 2016

Os Infinitos Universos de Giordano Bruno

Esse trabalho é uma homenagem a Giordano Bruno (1548-1600), um teólogo Italiano, filósofo, escritor, matemático, poeta e frade dominicano.


Ele defendeu diversas teses consideradas apócrifas porque desafiava dogmas da igreja católica. Também defendeu a ideia de que o universo, cujo centro dependeria sempre do observador, era infinito; que as estrelas eram outros sóis cercados por planetas que poderiam ter vida da mesma forma que a Terra. Giordano morreu queimado na fogueira por causa de suas ideias e pregações.


Segue abaixo alguns extratos do texto “Sobre o Infinito, o Universo e os Mundos” escrito por Giordano Bruno e usados para compor esse trabalho:


Pag. 16 – Movimento retilíneo não convém à terra ou a outros corpos principais, nem lhes pode ser natural, mas o é das partes destes corpos que para eles se movem dos vários e diferentes locais do espaço, sempre que não estejam muito afastados. Sexto axioma


Pag. 16 – Se estabelece que os corpos e suas partes não têm uma posição determinada em cima ou embaixo, a não ser enquanto a discussão se desenvolve aqui ou acolá. Nono axioma.


Pág. 18 – Enquanto considerarmos mais profundamente o ser e a substancia daquilo em que somos imutáveis, ficaremos cientes de que não existe a morte, não só para nós como também para qualquer substancia, enquanto nada diminui substancialmente, mas tudo, deslizando pelo espaço infinito, muda de aparência.


Pág. 19 – Deus não é glorificado em um só, mas em inumeráveis sóis; não numa terra, num mundo, mas em um milhão, quero dizer em infinitos.


Pág. 22 – Sentidos sevem somente para explicar a razão, para tomar conhecimento, indicar e dar testemunho parcial, não para testemunhar sobre tudo, nem para julgar, nem para condenar. Porque nunca, mesmo perfeitos, são isentos de alguma perturbação. Por isso a verdade, em pequena parte, brota desse fraco princípio que são os sentidos, mas não reside neles.


Pág. 27 – Eu considero o universo “todo infinito” porque não possui limite, nem termo, nem superfície; digo não ser o universo “totalmente infinito” porque cada parte que dele possamos pegar é finita, e cada um dos inúmeros mundos que contém é finito


Pág. 34 – Daí afirmarem que, como não é carne aquilo que não é vulnerável, assim não é corpo aquilo que não resiste..... Desta forma dizemos existir um infinito, isto é, uma etérea região imensa, na qual existem inúmeros e infinitos corpos, como a terra, o sol, a lua, que são chamados por nós de mundos compostos de pleno e vácuo: porque este espírito, este ar, este éter, não estão somente à volta destes corpos, mas ainda os penetram e estão ínsitos em todas as coisas.


Pág. 50 – Existem, pois inúmeros sóis, existem terras infinitas, as quais se movimentam à volta daqueles sóis, como percebemos estes sete girarem ao redor deste sol que nos é vizinho.


Pág. 50 – A razão é que nós podemos ver os sóis que são os maiores, antes grandíssimos corpos, mas não podemos perceber as terras, as quais, por serem corpos muito menores, são invisíveis; da mesma forma que não se opões à razão a existência de outras terras, mesmo que elas se movimentem ao redor deste sol, e não se manifestem a nós, seja por causa da maior distância, seja por causa do menor volume; que por não possuírem muita superfície de água, quer por não possuírem tal superfície voltada para nós e oposta ao sol, por meio da qual, como um límpido espelho que recebe os raios solares, se tornam visíveis.


Pág. 51 – Mas, de qualquer forma, sendo o universo infinito, é, afinal, necessário que existam mais sóis; pois é impossível que o calor e a luz de um elemento particular possam difundir-se na imensidão, como imaginou Epicuro, se é verdade aquele que os outros contam.


Pág. 52 – Ao redor daqueles podem movimentar-se terras muito maiores ou menores que a nossa terra.


Pág. 53 – Eu afirmo que o sol não brilha para o sol, a terra ão brilha para a terra, corpo algum brilha em relação a si mesmo, mas cada corpo luminoso brilha no espaço à sua volta. Contudo, apesar de a terra ser um corpo luminoso por causa dos raios do sol que incidem na superfície cristalina, sua luz não nos é sensível, nem aos que se encontram sobre esta superfície, mas é percebida por aqueles que se encontram do lado oposto ao dela.


Pág. 56 – Daí podemos concluir que inúmeras estrelas são como outras luas, outros tantos globos terrestres, outros tantos mundos semelhantes a este, em torno dos quais parece movimentar-se esta terra, da mesma forma que eles parecem movimentar-se e girar ao redor desta terra. Porque então, queremos afirmar que existe diferença entre estes corpos e aqueles se podemos constatar tamanha aptidão?


Pág. 62 – De maneira que não existe um único mundo, uma única terra, um único sol; mas os mundos são tantos quantas lâmpadas luminosas percebemos à nossa volta, as quais não estão mais num céu, num lugar e num receptáculo, do que este nosso mundo, onde moramos, está num receptáculo, num lugar num céu.


Pág. 62 - ....Porque é impossível que uma inteligência racional e um pouco atenta possa imaginar que estejam privados de semelhantes ou até melhores moradores ou inúmeros mundos, que a nós se manifestam iguais ou melhores que o nosso; os quais são sóis....


Pag. 63 – Desta diversidade e oposição dependem a organização, a simetria, a compleição, a paz, a concórdia, a composição, a vida.


 


* Sobre o Infinito, O Universo e os Mundos – Giordano Bruno/Galileu Galilei/Tommaso Campanella – Editora Abril Cultural


 


TÉCNICA: Óleo + objetos sobre madeira


DIMENSÕES: 55 X 76 cm


ANO: 2016


                                                                                                                                                     Walter Miranda - 2016

Da Caverna de Platão à Dicotomia de Um Senão - IV

Essa é a quarta versão de trabalhos baseados na caverna de Platão, um trecho do texto A República escrita pelo filósofo grego Platão (c428-c348aC.).  O texto descreve a situação de alguns homens presos em uma caverna de costas para a sua abertura e sem poder olhar para trás ou para os lados. Dessa forma, a única concepção que eles têm do mundo é representada pelos sons que ouvem e pelas sombras de pessoas que passam à frente da caverna e que são projetadas na parede ao fundo dela.


 


O quadro tem a forma de um diamante e a área central dele mostra o exato momento em que um dos homens consegue se libertar e apreende a realidade do mundo afora, que está representada nas diversas faces do diamante com imagens das sociedades antiga e contemporânea.


 


TÉCNICA: Óleo + objetos sobre madeira


DIMENSÕES: 99 X 60 cm


ANO: 2015


                                                                                                                                                     Walter Miranda - 2015

Os Quatro Elementos da Natureza e as Quatro Estações do Ano

Dois quadros que abordam elementos simbólicos da filosofia clássica grega antiga. Eles foram planejados usando a minha imagem e da minha esposa, Flávia, na posição do homem vitruviano de Leonardo da Vinci.


Concomitantemente à mensagem filosófica, trabalhei os elementos de forma lúdica explorando conceitos de composição, forma e cor. Assim, os elementos se tornam simbólicos, sendo que alguns (folhas, sementes, flores conchas etc.) representam o naturalismo e as peças de computador representam o domínio da tecnologia na sociedade atual.


 


Quadro 1 - Os quatro Elementos da natureza.


Quatro retângulos áureos circundam a imagem vitruviana e em seu interior encontram-se formas geométricas que foram geradas usando as espirais logarítmicas proporcionadas pela proporção áurea, uma relação matemática usada desde a Antiguidade.


O elemento terra foi correlacionado com a geração da vida por meio de alusões a sementes e o órgão sexual feminino. A forma dos elementos fogo, água e ar têm suas linhas alusivas à sinuosidade das labaredas, das ondas e das nuvens.


Ao lado dos retângulos áureos estão pequenos retângulos preenchidos com objetos que representam os quatro elementos.


 


Quadro 2 - As quatro estações do ano.


Nesse quadro, a primavera está relacionada às flores, o verão ao calor do sol, o outono às cores das folhas que caem nessa época e o inverno aos cristais de gelo. As formas inseridas nos retângulos áureos também foram obtidas por meio de espirais logarítmicas.


 


Técnica: Óleo + objetos sobre madeira


Dimensões: 81 x 81 cm


Ano: 2015                                                                                                                                      Walter Miranda - 2015


 

Os Quatro Elementos da Natureza - I

Assim como em outras séries, esse trabalho representa o relacionamento entre o Homem e a natureza por meio do entendimento filosófico, científico e tecnológico que ele tem dos quatro elementos da natureza (terra, fogo, água e ar).


Na área que representa a terra abordei a mãe natureza e a correlação humana entre esse elemento e o uso dele por meio da tecnologia.


A área referente ao fogo apresenta a evolução entre o domínio desse elemento e o domínio do átomo.


Na área relativa à água incluí algumas conchas sobre placas de circuito impresso representando parte de nosso alimento marítimo fornecido também pela tecnologia. A lua foi colocada dentro de uma gota d’água para relacioná-la com a forte influência que ela exerce sobre os oceanos.


Na área representativa do ar coloquei bailarinos valorizando os corpos celestes, sol e lua e adorando a mãe Gaia, o planeta Terra.


Acima das quatro áreas está a cúpula terrestre.


Todos os elementos do quadro encontram-se emoldurados por placas de circuito impresso e pentes de memória RAM, para reforçar o conceito de desenvolvimento tecnológico desestruturado que causou o atual impasse ecológico, pois se valoriza mais as ciências exatas, que nos proporcionam um conforto material, em detrimento das ciências humanas, que buscam um desenvolvimento sustentável em harmonia com o planeta.


 


TÉCNICA: ÓLEO + OBJETOS SOBRE MADEIRA


DIMENSÕES: 20 X 80 CM


ANO: 2014


                                                                                                                                                     Walter Miranda - 2014

Exaltação a Gaia XVIII - Primeiros Passos

Quadro que faz parte de uma série recorrente ao longo dos anos denominada “Exaltação a Gaia”.


Gaia é a deusa grega que representa o planeta Terra e a mãe Natureza.


Geralmente, os quadros dessa série exaltam a beleza da vida sem maiores implicações filosóficas, por isso, em todos os trabalhos dela série o planeta Terra é o centro das atenções.


Nesse caso específico abordo a jornada do homem desde os primórdios da civilização até a conquista espacial representada pelo ônibus espacial e a jornada das sondas espaciais Pioneer 10 e 11, lançadas ao espaço em 1972 e 1973 e primeiros objetos feitos pelo homem a deixar o sistema solar.


Algumas das imagens são releituras das informações contidas em uma placa metálica anexada às duas sondas que contém informações sobre a localização do sistema solar, do ponto de partida delas e dos seres que as criaram e enviaram ao espaço. As demais imagens acredito serem autoexplicativas.


 



TÉCNICA: Óleo + objetos sobre madeira (MDF)


DIMENSÕES: 70 X 43 CM


ANO: 2010


 


                                                                                                                                                                                              Walter Miranda - 2010

Nada de Novo no Novo Milênio - II

O uso da violência como instrumento de dominação e desculpa para atingir objetivos escusos ou duvidosos; o uso de discursos políticos, ideológicos e filosóficos com a finalidade de confundir o raciocínio das pessoas e se manter no poder; a manipulação das informações a fim de esconder a verdade etc.  Enfim, qualquer tipo de atitude que sirva para justificar a exploração do ser humano pelo próprio ser humano sempre me incomodou e a forma que eu uso para expressar a minha indignação contra isso é a arte.


Recentemente, a destruição das duas torres do WTC em Nova Iorque causou a morte de muitos inocentes, chocando o mundo ocidental que assistiu ao vivo cenas dantescas.


Em meu coração instalou-se a dicotomia de sentir-me chocado com a cruel violência visualmente exposta naquele ato e ao mesmo tempo revoltado com a violência dissimulada de alguns governantes, de uma superpotência e de países aliados, que desrespeitam os princípios mais básicos de convívio civilizado entre povos de diferentes culturas.


Infelizmente, esses hipócritas têm usado o sangue dos sacrificados como desculpa para continuar se mantendo no poder e continuar explorando diversos povos que vivem em locais estratégicos, econômica e militarmente, cometendo mais atrocidades e injustiças contra pessoas tão inocentes quanto as que morreram em setembro do ano passado.


O tríptico Nada de novo no Novo Milênio - II é o meu protesto contra estas atitudes que só aumentam o nível de violência e injustiça no mundo gerando mais insatisfação das populações exploradas e servindo de motivo para mais loucuras e atitudes desesperadas de minorias radicais. O resultado desse tipo de manipulação é sempre a morte de inocentes dos dois lados.


Essas atitudes e seus resultados não são novos, mas os líderes de diversos países (em ambos os lados dos conflitos) continuam usando inescrupulosamente o sangue dos inocentes para manter suas posições políticas, manter seus confortos materiais, aumentar seus lucros financeiros e justificar seus atos de violência contra povos e culturas que não entendem.


Nem mesmo a promessa de um mundo novo neste novo milênio tem sido capaz sensibilizar as lideranças do mundo em relação ao respeito humano e às diferenças culturais. Por isso mesmo, continuamos à mercê do antigo risco de guerras tradicionais, bacteriológicas ou até mesmo de uma hecatombe nuclear.


Uma parte do tríptico apresenta a bandeira americana estilizada de onde partem mísseis que ameaçam a cultura islâmica, representada pela lua crescente com a estrela, e outra parte apresenta dois aviões em queda livre que ameaçam a cultura ocidental, representada pela tocha da estátua da liberdade. Estas duas imagens são baseadas na argumentação das duas culturas (ocidental e islâmica). São duas visões antagônicas do mesmo problema, onde as duas partes se autodenominam libertadoras e chamam os inimigos de terroristas. É interessante notar que os discursos dos líderes de ambas as partes são tão iguais que, se pensarmos bem, eles se desmascaram mutuamente. Eles só continuam fingindo o papel de bonzinhos porque se sentem protegidos pelo sistema que defendem e porque muito de nós continuamos fingindo que não vemos esse teatro macabro onde os inocentes continuam pagando pelos pecadores.


Esse trabalho foi pintado sobre papelão de fabricação própria com as imagens sendo pintadas à mão ou editadas por meio de computação gráfica e as placas de computador foram serradas e esmerilhadas. A composição do tríptico é construtivista e segue os princípios matemáticos da relação áurea, uma relação matemática observada em várias criações da natureza e já encontrada nos estudos matemáticos dos povos da Antiguidade. Através dela, determinei os retângulos áureos e localizei vários pontos e áreas focais onde foram afixados os elementos simbólicos que representam diversas situações diretamente relacionadas com o tema da obra e que obrigam o espectador a examinar as relações metonímicas dos quadros, provocando-lhe questionamentos. Nesse sentido, as peças de computador representam o domínio da tecnologia na sociedade atual e que, muitas vezes, tem servido como instrumento de dominação pelos povos mais ricos. 


Meu objetivo com minhas críticas sociais por meio da arte é provocar o espectador, usando uma linguagem artística e subjetiva. Para mim, o mais importante é a reflexão que o espectador leva consigo depois de observar meus trabalhos. Não sonho em transformar o mundo com meus questionamentos e nem pretendo mostrar que a arte pode eliminar a violência no mundo, mas gosto de provocar as pessoas para que elas tirem suas próprias conclusões sobre o tema abordado.


Quem tem olhos, que veja!


 



 


Técnica: óleo + imagens digitalizadas + objetos sobre papelão de fabricação própria


Dimensões: 153 x  96 cm


Ano: 2002-2003


                                                                                                                                             Walter Miranda – 2002/2003

Doutrina Bush - O Espantalho da Morte


 


Em 2003, os EUA invadiram o Iraque sob a acusação de que esse país produzia armas de destruição em massa e que apoiava a al-Qaeda, grupo terrorista acusado pelo ataque às duas torres em Nova Iorque e ao Pentágono em Washington. À época, o diretor da a CIA, George Tenet, já havia informado ao presidente Bush que o Iraque não produzia as armas mencionadas e não tinha ligação com a al-Qaeda, cujo chefe Bin Laden, estava no Afeganistão. Mesmo assim, Bush auxiliado pelo Reino Unido, Austrália e outras nações, resolveu invadir o Iraque. Após a invasão nenhuma das acusações foram comprovadas e a invasão criou uma desestabilização do Iraque que culminou no nascimento do grupo terrorista Estado Islâmico - ISIS.


 


O trabalho denominado Doutrina Bush – O Espantalho da Morte representa a minha opinião sobre as ações militares norte-americanas em várias partes do mundo em nome de uma política que eu considero equivocada e maldosa.


 


A parte vertical do quadro representa a imagem do “Tio Sam” (símbolo dos EUA). Na cabeça existem várias imagens apresentando Bush convocando para a invasão e brincando de dominar o mundo, bem como armamentos militares, manifestações mundiais contra a invasão etc.


 


O tronco e os braços são formados por alusões à bandeira norte-americana. As faixas brancas e vermelhas funcionam como rastro deixados por seis aviões furtivos (stealth) B-2 Spirit e dois caças F-21 que ameaçam simultaneamente os continentes mundiais que estão dentro de dois HDs com a Iinscrição “Nós” em vários idiomas que se contrapõem à inscrição “US”, que também significa “Nós” em inglês e ao mesmo tempo United States.


 


As cinquenta estrelas da bandeira dos EUA é representada por esporas, numa alusão à origem texana de Bush. Os pentelhos são representados por uma águia e o pênis por um míssil Tomahawk. Os pés são representados por dois aviões furtivos Nighthawk F-117.


 


No chão, um mapa-múndi cercado por balas tem várias bandeiras americanas fincadas nos continentes representando a presença militar do país no mundo e as áreas dos EUA e Reino Unido são preenchidas com placas de circuito eletrônico.


 


TÉCNICA: ÓLEO + OBJETOS SOBRE MADEIRA


DIMENSÕES 205 X  185 CM  -   (Avanço horizontal = 60 cm)


ANO: 2003


* Objetos utilizados: Placas de computadores serradas e esmerilhadas, esporas, HDs desmontados, broches, acrílico, objetos decorativos, etc.


 


                                                                                                                                                Walter Miranda - 2003


 


                                     Doutrina Bush - O Espantalho da Morte por Flávia Miranda


 


O artista plástico Walter Miranda apresenta algumas obras de arte que provocam profundas reflexões sobre o momento político mundial atual. Em alguns painéis do Átrio estão obras que criticam a atual política norte-americana (denominada Doutrina Bush) e os atos terroristas. Ao mesmo tempo, o artista expõe obras homenageando a cidade de Nova York, vítima dos atentados de 11 de setembro de 2001. As obras unem a tradicional técnica da pintura a óleo (embora em estilo contemporâneo) a novas mídias tecnológicas (pois parte dos trabalhos foi realizada através de computação gráfica). Uma obra se destaca do conjunto: DOUTRINA BUSH - ESPANTALHO DA MORTE. Ela consiste em um espantalho de estatura e envergadura de um homem adulto com o mapa mundi a seus pés e é pintada com esmalte sintético e tinta a óleo, com inserção de placa de computador serrada, HDs desmontados, broches, balas de revolver, esporas, imagens trabalhadas com computação gráfica, etc. É tanto um quadro, como uma instalação, pois da parede ela se estende para o chão, induzindo o espectador a olhá-la de vários pontos de vista e assim interagir com o objeto de arte. As diferentes imagens e partes que compõem a obra se relacionam entre si mas são ao mesmo tempo independentes. Isso provoca um olhar contemplativo dos detalhes e um olhar dinâmico pelas correlações de raciocínio das partes e do todo. Com certeza é uma obra impactante que conduz a reflexão inteligente do mapa político mundial atual. É uma exposição marcante de forte impacto visual e conceitualmente objetiva mas com sutilezas nas entrelinhas.  


Flavia Venturoli - Abril 2004

Projeto Seattle por Flávia Miranda


Em 20 anos de carreira artística, Walter Miranda, sempre se ateve a questões filosóficas e conceituais, tanto sociais quanto globais. Nesta nova série denominada, PROJETO SEATTLE: EXALTAÇÃO A GAIA, o artista usa como tema o planeta Terra, através da livre representação, pictórica da carta resposta do chefe indígena Seattle à proposta do presidente norte americano, Franklin Pearce, para a compra de terras indígenas em troca de uma reserva em 1.855. O texto é uma obra de grande beleza, poesia e filosofia, que profetiza a situação de degradação ecológica da Terra, sendo uma literatura ainda pertinente nos dias de hoje.


Gaia em grego, Terra em latim, era uma das divindades primordiais da teogonia grega, após o caos. Dela principia tudo, desde suas forças naturais que mitologicamente são representadas por seus filhos, até criaturas que sobre ela vivem e dela dependem, animais e plantas. Nesse sentido, o tema, Exaltação a Gaia, toma sentido quando percebemos a presença da imagem do planeta em todas as obras expostas, em circunstâncias conceitualmente distintas.


Walter produz composições construtivistas através do uso da Relação Áurea, que é uma relação matemática observada em várias criações da natureza e já encontrada nos estudos matemáticos dos povos da Antigüidade. Ao mesmo tempo elimina a rigidez geométrica das composições criando uma relação orgânica dos espaços através da espiral logarítmica. As conjunções das linhas compositivas propiciam formas figurativas que são integradas ao tema pelo artista de maneira estilizada ou realista.


Utilizando a tradicional técnica da pintura a óleo, obtém texturas e efeitos visuais peculiares através de sobreposições de tinta em camadas espirradas, enrugadas e/ou pinceladas abstratas que são aplicadas tanto ao fundo quanto às figuras em alto relevo, que foram desenhadas e recortadas em papelão e coladas nos quadros durante o processo da composição.


Através da incorporação aos quadros de placas de circuito impresso de computador (algumas vezes serradas e esmerilhadas para obter formas geométricas e figurativas tais como locomotivas, arvoredos, figuras humanas, etc.), chips, baterias e vários elementos do nosso cotidiano tecnológico, além de elementos da natureza, como sementes, folhas, terra, cinzas, etc., Walter, ilustra de maneira simbólica a dicotomia atual de natureza versus uso inconseqüente da tecnologia, provocando reflexões sobre a questão do meio ambiente, do papel do homem no planeta e da responsabilidade sobre esta herança ecológica, como observamos na obra onde ele incorpora um vidro com água pura (retirada da nascente do Tietê) e outro com água poluída (retirada do mesmo Tietê, porém dentro da cidade de São Paulo).


Além disso, repetindo algumas imagens como, por exemplo, a Terra, as bailarinas, e crianças, entre outros elementos figurativos, o artista cria um repertório que dá ênfase a um universo de significados que não visa transmitir mensagens decodificadas ao espectador, já que a utilização desses elementos como detalhes, obriga o espectador a examinar as relações metonímicas de cada elemento provocando-lhe questionamentos, para que ele tire suas próprias conclusões sobre o tema abordado. O resultado é a cumplicidade ou a negação, pois ambas formam os dois lados de uma moeda, ou seja, um tipo de envolvimento fechando, dessa forma, o círculo.


O artista, portanto, procura unir a razão ao sentido, base de seu processo criativo. O resultado é um trabalho totalmente novo que, embora apoiado nas técnicas tradicionais, visa sua superação e transformação e, por isso, tem raízes profundas na história, cultura e linguagem artística (como observou Ferreira Gullar a respeito da poesia), onde esse estilo é identificável pela concepção compositiva, sendo a técnica (variável) seu mero instrumento. Como escreveu Kandinsky: "O artista deve ter algo a dizer porque seu dever não é dominar a forma e sim, adequá-la a um conteúdo"


 


Flávia Venturoli – nov/98


Observação: a carta encontra-se disponível na página: https://www.fwmartes.com.br/imprensa/114/carta-do-chefe-seattle


 


Veja Série Exaltação a Gaia


 

Da Caverna de Platão à Dicotomia de um Senão

 


Três quadros que representam a evolução humana no planeta. Eles foram criados baseados no trecho do texto A República escrita pelo filósofo grego Platão (c428-c348aC).  Nele, Platão descreve a situação de alguns homens presos em uma caverna de costas para a sua abertura e sem poder olhar para trás ou para os lados. Dessa forma, a única concepção que eles têm do mundo é representada pelos sons que ouvem e pelas sombras de pessoas que passam à frente da caverna e as projetam na parede ao fundo dela.


 


Quadro 1 – Representação do percurso humano desde a Pré-História até a Antiguidade. Na parte superior são representados momentos importantes tais como a observação do céu e das estrelas, o domínio do fogo, a criação de ideogramas, do alfabeto, a descoberta da matemática etc. Na parte inferior, dentro de uma parábola (curva matemática) está um dos homens que conseguiu se libertar e compreender que o mundo é feito de diversas realidades.


 


Quadro 2 - Representação do mesmo percurso desde o Renascimento até o Século XX. Na parte superior estão várias fórmulas matemáticas simples até variações da famosa fórmula de Einstein, além de imagens do planeta e uma placa de circuíto impresso que representa o domínio tecnológico. Na parte inferior estão vários objetos gerados pela tecnologia e dentro da parábola está uma bailarina que representa o equilíbrio inicial obtido com o domínio das ciências físicas.


 


Quadro 3 - Representação do momento atual em que a humanidade se encontra. Na parte superior está uma imagem representativa da fissão do átomo e outra variação da formula da relação entre a energia e a matéria. Ao lado está um cogumelo atômico associado ao domínio tecnológico da energia. Na parte inferior o homem encontra-se cabisbaixo e sendo ameaçado por uma bala dentro da parábola matemática, formada por várias balas.


 


Título: Caverna de Platão à Dicotomia de um Senão I, II e III.


Técnica: Laca acrílica + objetos sobre chapa de ferro perfurada


Dimensões: 61,8 X 100cm


Ano: 1991/2001

Janela Nossa de Cada Dia


A Série Janela Nossa de Cada Dia apresenta três pares de questões filosóficas: Tecnologia versus Natureza;  a Condição Humana versus a Compreensão da Infinitude e Ideologia versus Violência.


 


São três trabalhos pintados sobre madeira e que são articuláveis porque as folhas das janelas podem ser abertas ou fechadas.


 


Janela 1 – Contraposição do uso da tecnologia, representada pelo ônibus espacial, em detrimento da proteção à natureza, representada por uma floresta sendo penetrada por uma estrada.


 


Janela 2 – Contraposição da condição básica do ser humano, representada pela fome, e a infinitude do universo do qual somos apenas uma ínfima parte dos desígnios de Gaia, a mãe Terra.


 


Janela 3 – Contraposição da busca humana pela liberdade, representada pela mão da estátua da liberdade, e o uso da violência para atingir nossos objetivos, representado pelo cogumelo atômico



Técnica: Óleo sobre madeira


Dimensões: 100 X 60cm


Ano: 1987-2020


 

Transposições sociais


 


Tudo que o ser humano faz tem função social. Porém, dentro da Arte, creio que no exato momento da criação, a obra deve ter uma preocupação social. A função será a conseqüência. Sendo assim, na série de óleos que desenvolvi e apresentei em 1981, resolvi abordar as diferenças socioeconômicas representativas da sociedade brasileira.


A ideia inicial foi apresentar um cenário que apresentasse “os dois lados da mesma moeda”. Entretanto, não teria sentido usar situações convencionais, já que a idéia não atingiria o impacto pretendido. Dessa forma, após alguns estudos, cheguei às Transposições Sociais.


Usei a criança como elemento principal devido à sua não deturpação de conceitos, o que expressa para mim, um resto de esperança em nossa sociedade. Em todos os trabalhos, tanto as crianças ricas como as pobres apresentam um aspecto saudável para reforçar exatamente a impressão de pureza, apesar da opressão social e conceitual imposta por nós, adultos.


Por isso, os quadros se apresentam em pares com as crianças em posições idênticas, porém em condições sociais opostas, a fim de mostrar a igualdade humana em termos naturais e a injustiça social em termos humanos.


 


Walter Miranda             Abril/1981

Walter Miranda
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