Walter Miranda
Artista Plástico

Trabalhos do Artista

Listando 79 itens – Temática

Questões Políticas e Sociais

Caderneta de Anotações Vladmir Herzog

2005

    – Questões Políticas e Sociais

    – Objetos

Doutrina Bush - Espantalho da Morte

2002

    – Questões Políticas e Sociais

    – Doutrina Bush - Espantalho da Morte

Réquiem a duas irmãs gêmeas I

2002

    – Questões Políticas e Sociais

    – Réquiem a duas Irmãs Gêmeas

Réquiem a duas irmãs gêmeas II

2002

    – Questões Políticas e Sociais

    – Réquiem a duas Irmãs Gêmeas

Simetria Ecológica - Xapuri 23/12/1988

1991

    – Questões Políticas e Sociais

    – Simetria

Simetria Política - Tian Anmen 04/06/1989

1991

    – Questões Políticas e Sociais

    – Simetria

Simetria Social - Volta Redonda 11/1989

1991

    – Questões Políticas e Sociais

    – Simetria

Janela Nossa de Cada Dia I

1987

    – Questões Políticas e Sociais

    – Janela Nossa de Cada Dia

Janela Nossa de Cada Dia II

1987

    – Questões Políticas e Sociais

    – Janela Nossa de Cada Dia

Janela Nossa de Cada Dia III

1987

    – Questões Políticas e Sociais

    – Janela Nossa de Cada Dia

Mãe do Zé Jorge

1985

    – Questões Políticas e Sociais

    – Outras

Ser e Não Ter

1985

    – Questões Políticas e Sociais

    – Ser e Não Ter, Ter e Não Ser, Eis a Etiópia!

SER E NÃO TER, TER e NÃO SER, EIS A ETIÓPIA!

1985

    – Questões Políticas e Sociais

    – Ser e Não Ter, Ter e Não Ser, Eis a Etiópia!

Ter e Não Ser

1985

    – Questões Políticas e Sociais

    – Ser e Não Ter, Ter e Não Ser, Eis a Etiópia!

Manifesto Diretas Já

1984

    – Questões Políticas e Sociais

    – Outras

Transposição Sinfônica I

1984

    – Questões Políticas e Sociais

    – Projeto Beethoven

Transposição Sinfônica II

1984

    – Questões Políticas e Sociais

    – Projeto Beethoven

Transposição Sinfônica III

1984

    – Questões Políticas e Sociais

    – Projeto Beethoven

Transposição Sinfônica IV

1984

    – Questões Políticas e Sociais

    – Projeto Beethoven

Transposição Sinfônica IX

1984

    – Questões Políticas e Sociais

    – Projeto Beethoven

Transposição Sinfônica V

1984

    – Questões Políticas e Sociais

    – Projeto Beethoven

Transposição Sinfônica VI

1984

    – Questões Políticas e Sociais

    – Projeto Beethoven

Transposição Sinfônica VII

1984

    – Questões Políticas e Sociais

    – Projeto Beethoven

Transposição Sinfônica VIII

1984

    – Questões Políticas e Sociais

    – Projeto Beethoven

Transposição Sinfônica X

1984

    – Questões Políticas e Sociais

    – Projeto Beethoven

Transposição Sinfônica XI

1984

    – Questões Políticas e Sociais

    – Projeto Beethoven

Transposição Sinfônica XII

1984

    – Questões Políticas e Sociais

    – Projeto Beethoven

A arte de transformar dificuldades em vantagens


 


 


O artista plástico Walter Miranda se considera um defensor da técnica na pintura. Entre seus argumentos, está o de que, para voar mais alto, é preciso saber como gastar menos energia, ou seja, é o conhecimento que traz resultados cada vez melhores em qualquer atividade.


Entre julho e agosto últimos, ele apresentou a exposição Réquiem a Gaia - In Totum, na Reitoria da Unesp. A atividade se insere no Projeto 15x15, parceria entre a Universidade, por intermédio de seu Comitê de Artes e Cultura ligado à Pró-reitoria de Extensão Universitária, e a Associação Profissional de Artistas Plásticos de São Paulo, da qual é presidente no triênio 2013/2015.


Miranda mostrou mapas em que alerta para a destruição da natureza pelo ser humano. Para isso, apropria-se dos mais diversos objetos e materiais, como cartões de crédito, palitos de fósforos usados, placas de computador ou lascas de lápis apontados. São elementos que trazem conteúdo simbólico e, acima de tudo, preocupações estéticas.


Nascido em 1954, no bairro de Itaquera, em São Paulo, SP, Miranda, filho de pais separados, frequentou, dos 9 aos 12 anos, um colégio interno. Foi ali que teve a sua primeira experiência com a arte. A professora pediu que as crianças fizessem um desenho, e o dele mereceu destaque.


Passou a ser sempre chamado à lousa para ajudar a professora nas aulas. Pouco depois, começou a confeccionar pequenos gibis que vendia na feira próxima de sua casa para ganhar algum dinheiro.


Mais tarde, estudou ilustração na Escola Panamericana de Arte, onde recebeu o estímulo do desenhista de histórias em quadrinhos Nico Rosso, que o aconselhou a fazer aulas de modelo vivo na Pinacoteca do Estado de São Paulo. A atividade semanal era coordenada pelo artista plástico Gregorio Gruber.


No curso da Pinacoteca, além de aprender muito, tanto pela prática de desenho quanto ouvindo os comentários do professor e dos colegas, Walter Miranda passou a atuar ele mesmo como modelo. Não só ali, mas em outras instituições de ensino. Essa atividade multiplicou as oportunidades para conviver com diversos artistas, e, também, de ouvir muitos comentários em sala de aula sobre arte e sobre técnica de desenho e pintura.


No início da carreira, os trabalhos de Miranda apresentavam uma forte vertente social. O primeiro quadro que vendeu, por exemplo, retratava um soldado em primeiro plano, uma nuvem de gás lacrimogêneo vinda do solo e estudantes correndo.
A ideia era mostrar que não era apenas um único militar que amedrontava os jovens, mas sim todo um contexto que o apoiava.


Naquela época de iniciante, a falta de condições financeiras para comprar material de trabalho levou Miranda a desenvolver alternativas para conseguir se expressar plasticamente. Nos anos 1980 desenvolveu um processo no qual desmanchava revistas, batia o papel no liquidificador e, usando pedaços de madeira como prensa, criava bases com espessura de 8 mm. Depois fazia desenhos sobre as bases, usando caneta esferográfica.


As dificuldades foram se tornando vantagens que o estimularam a erguer seu próprio ateliê. Ele se localiza no bairro paulistano do Sacomã. Possui um pé direito bem alto, de sete metros, e amplas vidraças. A observação do mundo e a prática no lidar com diferentes materiais tornaram-se uma marca registrada. Foi por essa via que Walter Miranda chegou ao uso artístico de placas de computadores.


Ao frequentar a casa do amigo e escultor Roberto Gianecchini, que trabalhava para uma empresa francesa consertando e trocando micros, Miranda enxergou nas placas de processadores vistas aéreas de cidades. Levou algumas para o ateliê e começou a usá-las em seus trabalhos. Inicialmente, utilizava cada uma delas no tamanho original. Depois, realizou pesquisas serrando e adaptando o material de acordo com seus objetivos visuais.


Uma característica constante do trabalho de Walter Miranda são os mapas. Com o fim da ditadura militar, continuou a ser contestador, mas seu foco se ampliou. A crítica vem sendo a maneira irresponsável com que se usa a tecnologia apenas para gerar dinheiro, deixando de lado o respeito à natureza. A região paulistana onde nasceu, por exemplo, que anteriormente era repleta de verde, tornou-se uma selva de asfalto e concreto.


Miranda foi professor no Liceu de Artes e Ofícios, de 1986 a 1996, e desde 1996 dá aulas em seu atêlie. Sua atividade como professor inclui desenho, aquarela, pastel, nanquim, figura humana e pintura. Ele também profere palestras, conferências e workshops em escolas de arte, instituições culturais, faculdades e universidades. Graças a essas atividades, Miranda vem observando que atualmente há muitos jovens artistas com pouco espaço para expor. Esse quadro se agravaria com as universidades recebendo jovens do ensino médio com carência de formação básica em artes, tanto na prática como na teoria. O resultado é que os quatro anos de curso superior são um período muito curto para fornecer uma melhor bagagem de referências, essencial para que se crie um patamar que o artista possa transformar ao longo da carreira.


Miranda diz que aprendeu na ditadura a importância da lógica e da inteligência. Como era impossível vencer pela força, a alternativa estava no convencimento da sociedade pelos argumentos. Do mesmo modo, quanto mais o jovem artista conhecer desenho, perspectiva e noções de luz e sombra, mais poderá desaprender, sintetizando e estilizando, para encontrar a própria forma de expressão.

A Força, o Poder, a Razão e o Preço da Liberdade

Estas obras abordam as manifestações estudantis em 1977 e a reação violenta dos policiais e forças militares contra os alunos. No primeiro trabalho - O Argumento da Força: policiais ameaçam os alunos com blackjacks demonstrando o argumento da força. No segundo trabalho - O Poder de Convencimento: policiais espancaram um estudante demonstrando uma espécie de poder convincente. No terceiro trabalho - A Razão Acima de Tudo: dois alunos ajudam um terceiro, com hematomas provocados por espancamentos, e um deles aponta para o ferido e grita na demonstração de que a razão está acima da violência. No quarto trabalho - O Preço da Liberdade: a fumaça provocada por uma bomba de gás lacrimogêneo envolve um policial militar que ameaça os alunos. A fuga dos estudantes é provocada pelo contingente militar que está por trás do soldado. Em um dos alunos, repousa uma pomba, símbolo da não-violência.


Walter Miranda
Ateliê Oficina FWM de Artes
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