Walter Miranda
Artista Plástico

Os Infinitos Universos de Giordano Bruno

2016
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Esse trabalho é uma homenagem a Giordano Bruno (1548-1600), um teólogo Italiano, filósofo, escritor, matemático, poeta e frade dominicano.

Ele defendeu diversas teses consideradas apócrifas porque desafiava dogmas da igreja católica. Também defendeu a ideia de que o universo, cujo centro dependeria sempre do observador, era infinito; que as estrelas eram outros sóis cercados por planetas que poderiam ter vida da mesma forma que a Terra. Giordano morreu queimado na fogueira por causa de suas ideias e pregações.

Segue abaixo alguns extratos do texto “Sobre o Infinito, o Universo e os Mundos” escrito por Giordano Bruno e usados para compor esse trabalho:

Pag. 16 – Movimento retilíneo não convém à terra ou a outros corpos principais, nem lhes pode ser natural, mas o é das partes destes corpos que para eles se movem dos vários e diferentes locais do espaço, sempre que não estejam muito afastados. Sexto axioma

Pag. 16 – Se estabelece que os corpos e suas partes não têm uma posição determinada em cima ou embaixo, a não ser enquanto a discussão se desenvolve aqui ou acolá. Nono axioma.

Pág. 18 – Enquanto considerarmos mais profundamente o ser e a substancia daquilo em que somos imutáveis, ficaremos cientes de que não existe a morte, não só para nós como também para qualquer substancia, enquanto nada diminui substancialmente, mas tudo, deslizando pelo espaço infinito, muda de aparência.

Pág. 19 – Deus não é glorificado em um só, mas em inumeráveis sóis; não numa terra, num mundo, mas em um milhão, quero dizer em infinitos.

Pág. 22 – Sentidos sevem somente para explicar a razão, para tomar conhecimento, indicar e dar testemunho parcial, não para testemunhar sobre tudo, nem para julgar, nem para condenar. Porque nunca, mesmo perfeitos, são isentos de alguma perturbação. Por isso a verdade, em pequena parte, brota desse fraco princípio que são os sentidos, mas não reside neles.

Pág. 27 – Eu considero o universo “todo infinito” porque não possui limite, nem termo, nem superfície; digo não ser o universo “totalmente infinito” porque cada parte que dele possamos pegar é finita, e cada um dos inúmeros mundos que contém é finito

Pág. 34 – Daí afirmarem que, como não é carne aquilo que não é vulnerável, assim não é corpo aquilo que não resiste..... Desta forma dizemos existir um infinito, isto é, uma etérea região imensa, na qual existem inúmeros e infinitos corpos, como a terra, o sol, a lua, que são chamados por nós de mundos compostos de pleno e vácuo: porque este espírito, este ar, este éter, não estão somente à volta destes corpos, mas ainda os penetram e estão ínsitos em todas as coisas.

Pág. 50 – Existem, pois inúmeros sóis, existem terras infinitas, as quais se movimentam à volta daqueles sóis, como percebemos estes sete girarem ao redor deste sol que nos é vizinho.

Pág. 50 – A razão é que nós podemos ver os sóis que são os maiores, antes grandíssimos corpos, mas não podemos perceber as terras, as quais, por serem corpos muito menores, são invisíveis; da mesma forma que não se opões à razão a existência de outras terras, mesmo que elas se movimentem ao redor deste sol, e não se manifestem a nós, seja por causa da maior distância, seja por causa do menor volume; que por não possuírem muita superfície de água, quer por não possuírem tal superfície voltada para nós e oposta ao sol, por meio da qual, como um límpido espelho que recebe os raios solares, se tornam visíveis.

Pág. 51 – Mas, de qualquer forma, sendo o universo infinito, é, afinal, necessário que existam mais sóis; pois é impossível que o calor e a luz de um elemento particular possam difundir-se na imensidão, como imaginou Epicuro, se é verdade aquele que os outros contam.

Pág. 52 – Ao redor daqueles podem movimentar-se terras muito maiores ou menores que a nossa terra.

Pág. 53 – Eu afirmo que o sol não brilha para o sol, a terra ão brilha para a terra, corpo algum brilha em relação a si mesmo, mas cada corpo luminoso brilha no espaço à sua volta. Contudo, apesar de a terra ser um corpo luminoso por causa dos raios do sol que incidem na superfície cristalina, sua luz não nos é sensível, nem aos que se encontram sobre esta superfície, mas é percebida por aqueles que se encontram do lado oposto ao dela.

Pág. 56 – Daí podemos concluir que inúmeras estrelas são como outras luas, outros tantos globos terrestres, outros tantos mundos semelhantes a este, em torno dos quais parece movimentar-se esta terra, da mesma forma que eles parecem movimentar-se e girar ao redor desta terra. Porque então, queremos afirmar que existe diferença entre estes corpos e aqueles se podemos constatar tamanha aptidão?

Pág. 62 – De maneira que não existe um único mundo, uma única terra, um único sol; mas os mundos são tantos quantas lâmpadas luminosas percebemos à nossa volta, as quais não estão mais num céu, num lugar e num receptáculo, do que este nosso mundo, onde moramos, está num receptáculo, num lugar num céu.

Pág. 62 - ....Porque é impossível que uma inteligência racional e um pouco atenta possa imaginar que estejam privados de semelhantes ou até melhores moradores ou inúmeros mundos, que a nós se manifestam iguais ou melhores que o nosso; os quais são sóis....

Pag. 63 – Desta diversidade e oposição dependem a organização, a simetria, a compleição, a paz, a concórdia, a composição, a vida.

 

* Sobre o Infinito, O Universo e os Mundos – Giordano Bruno/Galileu Galilei/Tommaso Campanella – Editora Abril Cultural

 

TÉCNICA: Óleo + objetos sobre madeira

DIMENSÕES: 55 X 76 cm

ANO: 2016

                                                                                                                                                     Walter Miranda - 2016

Walter Miranda
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