Walter Miranda
Artista Plástico

Trabalhos do Artista

Listando 7 itens – Série

1984 - O Estigma de George Orwell .

1984 - Estigma de George Orwell


Entre 83 e 84, pintei a série de quadros denominada 1984 - O Estigma de George Orwell. Ela é uma analogia do livro 1984, escrito por Orwell, com as sociedades contemporâneas. A série mostra a inércia das pessoas que se deixam manipular pelos detentores do poder por meio da força e da informação. Nela, pintei as pessoas com os rostos facetados, para mostrar a robotização do ser humano, que não questiona as imposições dos sistemas político/econômicos e, por isso, se torna responsável indireto pelas inconsequências praticadas por seus dominadores, as quais estão representadas nos quadros pelas palavras escritas nos letreiros das lojas.


 


Dada a atualidade do tema, vale a pena me estender mais sobre o assunto. Com relação ao livro, existem muitas teses sobre as intenções de Orwell ao escrever o livro 1984. Talvez identificasse Londres e o trabalhismo em 1948 após a guerra. Talvez representasse o comunismo, o fascismo, o nazismo ou, quem sabe, estivesse até mesmo fazendo uma previsão. A meu ver estas teses são irrelevantes diante dos problemas abordados por ele e que vivemos concretamente através das perversões do poder (hoje e em qualquer época). O titulo, inclusive, poderia ser 1964, 1999 ou 2020, pois mais que uma previsão, alguns dos assuntos abordados por Orwell são facilmente constatados tanto na sociedade do pós-guerra como na atual, guardadas algumas diferenças devido ao desenvolvimento tecnológico, a saber:


 


 ·         controle do indivíduo,


 ·         invasão da privacidade individual,


 ·         anulação da memória de povos,


 ·         mudança de significado das palavras,


 ·         transformação de pessoas em não seres,


 ·         notícias falsas.


 


Os temas acima citados podem ser exemplificados conforme abaixo:


 


CONTROLE DO INDIVÍDUO


Os órgãos oficiais de informações, inclusive dos países mais "democráticos" como os EUA, tem dossiês completos sobre as ações de alguns indivíduos da sociedade, numa forma de "controle invisível". As "democracias relativas" do terceiro mundo implantam a delação em todos os níveis sociais, sacrificando até mesmo os inocentes. Poucos têm coragem para ajudar os injustiçados e/ou os parceiros, pois atrás da delação estão a tortura e o terror, cuja função é mudar e controlar a consciência de todos visando a "Paz" social. Essas "democracias" mantêm polícias do pensa­mento que, através da propaganda totalitária e outros artifícios, conseguem controlar até mesmo a opinião das pessoas esclarecidas. Outro exemplo de controle social acontecia em Miami onde, na década de 80,existiam caixas com câmeras de vigilância espalhadas pelas ruas de intenso comércio. Contudo, pelo menos, metade delas encontrava-se vazia e as pessoas, por ignorarem tal fato, reagiam como se estivessem sendo vigiadas. Atualmente as câmeras realmente filmam e gravam as ações populares em várias cidades do mundo e, nos aeroportos, elas já conseguem efetuar reconhecimento facial dos transeuntes.


 


INVASÃO DA PRIVACIDADE INDIVIDUAL


Em 1983, quando pintei os quadros dessa série, alguns governos possuíam diversas informações sobre o comportamento e vida dos indivíduos utilizando, entre outros meios, a eletrônica, a informática e a violação de correspondências. Agora, no século XXI essa prática se expandiu infinitamente, haja vista os casos divulgados por Edward Snowden e pelo Wiki Leaks de Julian Assange. É notório que e-mails, ligações telefônicas, navegação por internet e mídias sociais são objetos de vigilância governamental e até mesmo de pesquisa comercial. Pode‑se dizer que é a política da liberdade vigiada em que a privacidade fica em segundo plano.


 


ANULAÇÃO DA MEMORIA DOS POVOS


Um dos meios para anular a memória de uma nação até a década de 60 era por meio da mudança dos fatos de sua história. Sabe‑se da existência de diversas fotos alteradas, tanto pela União Soviética e China, como por países ocidentais, onde pessoas influentes no regime foram apagadas por artifícios fotográficos ao se tornarem "personas non gratas", restando apenas a versão oficial e não mais o fato veridicamente ocorrido. Também se alterava enciclopédias e livros, anulando ou camu­flando os fatos com versões oficiais e jogos de palavras. Hoje, com os recursos tecnológicos, ficou mais fácil fazer esse tipo de alteração noticiando‑se fatos sutilmente deformados de acordo com as intenções oficiais de cada país, ou governo. Também se constrói uma história falsa por meio de alterações de fatos nos livros escolares. Problemático também é o fato de grupos sociais falsificarem notícias e fatos nas mídias sociais por meio de vídeos e mensagens falsas, pois é difícil comprovar uma fake news devido ao seu poder de propagação. E para piorar ainda mais a situação, hoje já é possível com recursos caseiros criar notícias falsas alterando vídeos onde determinada pessoa diz algo e a imagem e texto são modificados com tanta eficácia e realismo que só quem originou o vídeo pode saber que ele foi falsificado, mas ela tem dificuldade em provar isso.


 


MUDANÇA DE SIGNIFICADO DAS PALAVRAS


Outra prática de perversão do poder é a mudança de significado das palavras. Nos regimes ditatoriais, basta batizar de democracia o despotismo para se agir arbitrariamente contra a sociedade.


Durante a ocupação Francesa na Argélia, a palavra "pacificação", usada pelos franceses, significava para os argelinos o genocídio de seu povo. Na guerra do Vietnã a palavra “libertação”, usada pelos americanos, tinha significado diferente para os Vietnamitas. Alguns países usaram a expressão “operação liberdade do Iraque” para justificar uma invasão militar. Na União Soviética “independência intelectual” significava doença mental para o governo central. No Brasil, durante os anos 80, tínhamos as palavras “desindexação e expurgo” para desconsiderar alguns índices inflacionários que comprometiam o orçamento familiar. Assim, era possível camuflar a inflação anual. Ainda hoje, temos governantes que usam expressões do tipo “pessoas que procuram empregos” em vez de desempregados.


  


NÃO SERES


 Para nós brasileiros, os não seres poderiam ser identificados como idosos, desempregados, imigrantes sem permissão para trabalhar, retirantes nordestinos, negros de baixa renda, mendigos e tantos outros. Em tempos de pandemia do Covid-19, ficou clara a não existência de parte significativa da sociedade brasileira que não conseguiu auxílio financeiro por não fazer parte do sistema social oficial. O mesmo pode ser colocado para os imigrantes que tentaram se refugiar na Europa devido aos conflitos militares e religiosos no Oriente Médio.


 


CONCLUSÃO


Hoje, passados tantos anos de conclusão dessa série, vejo que o tema continua atual já que com os recursos materiais oferecidos pela tecnologia se tornou mais fácil controlar as populações criando necessidades e satisfações superficiais distantes das necessidades essenciais para uma vida humana digna e saudável.


 


 Walter Miranda – 1984/2020


 


 


 

No Centro de Artes Shopping News, a Vez da Nova Geração

Três pintores da nova safra, indicados pelo crítico de arte Olney Kruse, mostram suas tendências na exposição coletiva que o Centro de Artes Shopping News inaugura amanhã.

 


Eles não se conheciam antes que o crítico e artista plástico Olney Kruse os indicasse para essa coletiva, cuidando inclusive, de selecionar pessoalmente as obras que cada um vai expor. Mas além de serem pintores novos, que experimentam dia a dia as agruras de um mercado repleto de medalhões, os três têm um forte ponto em comum: escolheram a pintura como meio de espressão do seu tempo- reforçam, aliás, essa condição, autodefinindo-se como documentaristas de sua época. E a visão que cada um tem do momento que vive transparece em seus quadros



 


 Walter faz uma analogia com a obra de George Orwell, autor do livro “1984,apresentando figuras humanas robotizadas, que andam pelas ruas centrais de São Paulo insensíveis as palavras de ordem presentes nas lojas comerciais. "Quero mostrar a inércia da sociedade que se permite manipular pelos detentores do poder, como na ficção de “Orwell”, argumenta.


 


Na Luta


Walter por sua vez, diz já ter perdido a conta de quantos salões participou, pois envia trabalhos para todos que pode, desde 1978, quando estreou no 6° Salão Jovem de Arte de Santos. “O salão é ótimo porque dá chance ao artista de mostrar seu trabalho, justifica". O primeiro prêmio significativo que recebeu, segundo afirma, foi na 3ª Mostra Nova do Centro de Artes Shopping News, realizada em 1980, que lhe abriu as portas para a primeira individual, no próprio Centro de Artes, em 1981. Além deste, fala com carinho também do prêmio Cidade de Santo André, conquistado em abril último no 11º Salão de Arte Contemporânea daquela cidade. Lorenzetti, Cassiano e Walter ficam até o próximo dia 14 no Centro de Artes Shopping News. Suas obras podem ser vistas das 9 ás 18 horas, de 2ª a 6ª Feira, na rua Martins Fontes, 159.

Walter Miranda
Ateliê Oficina FWM de Artes
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