Walter Miranda
Artista Plástico

Trabalhos do Artista

Listando 171 itens – Temática

Questões Filosóficas

Réquiem a Gaia - Fecundationis Artificiosae

2018

    – Objetos

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – In Totum 6

2018

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – Torre de Babel

2018

    – Objetos

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

O nosso lixo eletrônico de cada dia!

2017

    – Objetos

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – Cartografia romântica

2017

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – In Totum 5

2017

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – In Totum 7

2017

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Réquiem a Gaia – In Totum 8

2017

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

A segurança nossa de cada dia - II

2016

    – Questões Filosóficas

    – Admirável Nova Idade Média

Bosch + 500 - O juízo final

2016

    – Questões Filosóficas

    – Outras

Confúcio e as Cinco Virtudes do Homem Sábio

2016

    – Questões Filosóficas

    – Outras

Os infinitos universos de Giordano Bruno

2016

    – Questões Filosóficas

    – Outras

As quatro estações do ano

2015

    – Questões Filosóficas

    – Outras

Da caverna de Platão à dicotomia de um senão - IV

2015

    – Questões Filosóficas

    – Da Caverna de Platão à Dictomia de um Senão

Os quatro elementos da natureza II

2015

    – Questões Filosóficas

    – Outras

Descompasso I

2014

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Descompasso II

2014

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Descompasso III

2014

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Desequilíbrio Tecnológico

2014

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Equilíbrio Natural

2014

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Está nos Olhos de Quem Vê I

2014

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Está nos Olhos de Quem Vê II

2014

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

O Norte É Aqui I

2014

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

O Norte É Aqui II

2014

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Ocupação Espacial

2014

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Ovo de Colombo !

2014

    – Objetos

    – Questões Filosóficas

    – Objetos

Reflexões Tecnológica

2014

    – Questões Filosóficas

    – Réquiem a Gaia

Autorretrato




As lembranças que me seguem e,


confundem-se com o presente,


não me deixam sozinho.


                                                           Não tenho a solidão angustiante


                                                           dos homens sem passado,


                                                           que não podem voltar o rosto para trás.


Segue comigo uma antiga intimidade


com o mundo e as pessoas de conteúdo humano,


não compactuo com a hipocrisia e a insensibilidade.


                                                           A minha estrada é longa


                                                           e a minha vida por demais sofrida.


                                                           mas tem valido a pena devido à sua plenitude e,


                                                           dentre mortos e feridos, eu sempre sobrevivo.


Para viver não é necessário possuir, mas é importante sentir,


 e as pedras do caminho mostram que a dor é boa professora.


 Os pores do sol ao final de cada dia mostram que é preciso sonhar


 e os sonhos trazem consigo a mesma brisa que a arte traz.             


                                                           Para pintar não é necessário privilégios,


                                                           mas um pouco de sofrimento e humildade.


                                                           E a pintura tem me ajudado


                                                           a disfarçar a tristeza irremediável de perceber.

A arte de transformar dificuldades em vantagens


 


 


O artista plástico Walter Miranda se considera um defensor da técnica na pintura. Entre seus argumentos, está o de que, para voar mais alto, é preciso saber como gastar menos energia, ou seja, é o conhecimento que traz resultados cada vez melhores em qualquer atividade.


Entre julho e agosto últimos, ele apresentou a exposição Réquiem a Gaia - In Totum, na Reitoria da Unesp. A atividade se insere no Projeto 15x15, parceria entre a Universidade, por intermédio de seu Comitê de Artes e Cultura ligado à Pró-reitoria de Extensão Universitária, e a Associação Profissional de Artistas Plásticos de São Paulo, da qual é presidente no triênio 2013/2015.


Miranda mostrou mapas em que alerta para a destruição da natureza pelo ser humano. Para isso, apropria-se dos mais diversos objetos e materiais, como cartões de crédito, palitos de fósforos usados, placas de computador ou lascas de lápis apontados. São elementos que trazem conteúdo simbólico e, acima de tudo, preocupações estéticas.


Nascido em 1954, no bairro de Itaquera, em São Paulo, SP, Miranda, filho de pais separados, frequentou, dos 9 aos 12 anos, um colégio interno. Foi ali que teve a sua primeira experiência com a arte. A professora pediu que as crianças fizessem um desenho, e o dele mereceu destaque.


Passou a ser sempre chamado à lousa para ajudar a professora nas aulas. Pouco depois, começou a confeccionar pequenos gibis que vendia na feira próxima de sua casa para ganhar algum dinheiro.


Mais tarde, estudou ilustração na Escola Panamericana de Arte, onde recebeu o estímulo do desenhista de histórias em quadrinhos Nico Rosso, que o aconselhou a fazer aulas de modelo vivo na Pinacoteca do Estado de São Paulo. A atividade semanal era coordenada pelo artista plástico Gregorio Gruber.


No curso da Pinacoteca, além de aprender muito, tanto pela prática de desenho quanto ouvindo os comentários do professor e dos colegas, Walter Miranda passou a atuar ele mesmo como modelo. Não só ali, mas em outras instituições de ensino. Essa atividade multiplicou as oportunidades para conviver com diversos artistas, e, também, de ouvir muitos comentários em sala de aula sobre arte e sobre técnica de desenho e pintura.


No início da carreira, os trabalhos de Miranda apresentavam uma forte vertente social. O primeiro quadro que vendeu, por exemplo, retratava um soldado em primeiro plano, uma nuvem de gás lacrimogêneo vinda do solo e estudantes correndo.
A ideia era mostrar que não era apenas um único militar que amedrontava os jovens, mas sim todo um contexto que o apoiava.


Naquela época de iniciante, a falta de condições financeiras para comprar material de trabalho levou Miranda a desenvolver alternativas para conseguir se expressar plasticamente. Nos anos 1980 desenvolveu um processo no qual desmanchava revistas, batia o papel no liquidificador e, usando pedaços de madeira como prensa, criava bases com espessura de 8 mm. Depois fazia desenhos sobre as bases, usando caneta esferográfica.


As dificuldades foram se tornando vantagens que o estimularam a erguer seu próprio ateliê. Ele se localiza no bairro paulistano do Sacomã. Possui um pé direito bem alto, de sete metros, e amplas vidraças. A observação do mundo e a prática no lidar com diferentes materiais tornaram-se uma marca registrada. Foi por essa via que Walter Miranda chegou ao uso artístico de placas de computadores.


Ao frequentar a casa do amigo e escultor Roberto Gianecchini, que trabalhava para uma empresa francesa consertando e trocando micros, Miranda enxergou nas placas de processadores vistas aéreas de cidades. Levou algumas para o ateliê e começou a usá-las em seus trabalhos. Inicialmente, utilizava cada uma delas no tamanho original. Depois, realizou pesquisas serrando e adaptando o material de acordo com seus objetivos visuais.


Uma característica constante do trabalho de Walter Miranda são os mapas. Com o fim da ditadura militar, continuou a ser contestador, mas seu foco se ampliou. A crítica vem sendo a maneira irresponsável com que se usa a tecnologia apenas para gerar dinheiro, deixando de lado o respeito à natureza. A região paulistana onde nasceu, por exemplo, que anteriormente era repleta de verde, tornou-se uma selva de asfalto e concreto.


Miranda foi professor no Liceu de Artes e Ofícios, de 1986 a 1996, e desde 1996 dá aulas em seu atêlie. Sua atividade como professor inclui desenho, aquarela, pastel, nanquim, figura humana e pintura. Ele também profere palestras, conferências e workshops em escolas de arte, instituições culturais, faculdades e universidades. Graças a essas atividades, Miranda vem observando que atualmente há muitos jovens artistas com pouco espaço para expor. Esse quadro se agravaria com as universidades recebendo jovens do ensino médio com carência de formação básica em artes, tanto na prática como na teoria. O resultado é que os quatro anos de curso superior são um período muito curto para fornecer uma melhor bagagem de referências, essencial para que se crie um patamar que o artista possa transformar ao longo da carreira.


Miranda diz que aprendeu na ditadura a importância da lógica e da inteligência. Como era impossível vencer pela força, a alternativa estava no convencimento da sociedade pelos argumentos. Do mesmo modo, quanto mais o jovem artista conhecer desenho, perspectiva e noções de luz e sombra, mais poderá desaprender, sintetizando e estilizando, para encontrar a própria forma de expressão.

PROJETO BEETHOVEN


PROJETO - Três interpretações individualizadas sobre as nove sinfonias de Beethoven, mais três manifestações, baseadas no desenvolvimento das nove anteriores.


DESENVOLVIMENTO - Foi feito um estudo, em conjunto, sobre a vida e obra de Beethoven, para se passar efetivamente à execução dos trabalhos que consistiu em cada artista, isolado dos outros, ouvir as sinfonias, fazer um trabalho concernente a cada uma e mais três trabalhos nos quais houve a possibilidade de se usar total liberdade de criação, tendo como base principal a experiência adquirida na execução dos trabalhos anteriores.


 


Maria Bertoldi, Roberto Giannecchini e Walter Miranda

PROJETO BEETHOVEN POR ENOCK SACRAMENTO


Sinfonia é uma obra musical independente, executada por orquestra de corda e de instrumentos de sopro e percussão, desenvolvida geralmente em quatro movimentos, o primeiro dos quais construído como forma sonata. A sinfonia moderna é, na verdade, uma grande sonata para orquestra.


Genero musical criado por volta de 1750, a sinfonia teve muitos grandes cultores, como Haydn, Mozart, Schubert, Mendelssohn, Schumann, Brahms, Franck, Tchaikovski, Dvorak, Bruchner, Mahler, Berlioz, Liszt, Sibelius, Prokofiev, Stravinski e outros. Sobre estes mestres, paira a figura gigantesca de Beethoven, o maior compositor sinfônico de todos os tempos e uma das personalidades mais poderosas de toda a história das artes.


Beethoven legou à humanidade 9 sinfonias que atravessam os anos sem sinais de desgaste, como obras de supremo e permanente valor artístico. A influência de Beethoven sobre compositores do século XIX e mesmo XX, foi avassaladora e o fascício de sua obra extrapola o domínio da música para manifestar-se, até hoje, em vários campos da criação artística.


Em 1981, o pintor Walter L. L. Miranda convidou alguns artistas plásticos a criar obras referenciadas ou inspiradas nas nove sinfonias de Beethoven. Quase três anos depois, ele próprio, Maria Bertoldi e Roberto Giannecchini (GIA) mostram o resultado desta experiência que os empolgou. Durante o desenvolvimento da série, convencionaram que, além dos nove trabalhos básicos, cada um produziria mais três, dando sequência livre ao processo criativo.


Personalidades de formação, informação e temperamento diferentes, cada um criou dentro de sua linha e os resultados são mais que satisfatórios: eles colocam problemas fundamentais da criação artística e se aproximam da metalinguagem da crítica, na medida em que criam obras referenciadas em outras obras de arte. Suas posturas criativas assemelham-se às vezes a certos comportamentos do próprio Beethoven, cujo posicionamento profundamente intelectual transforma alguma de suas obras ou parte delas antes em visões espiritualizadas da vida do que em projeções diretas do seu fluir.


WALTER L. L. MIRANDA projetou nos trabalhos que realizou sobre papelão sua própria personalidade, rica e complexa. E o fez, ao mesmo tempo, de forma racional e apaixonada. Uma personalidade atenta aos progressos significativos do conhecimento e, aos desatinos praticados por segmentos da sociedade em nome de ideais duvidosos, profundamente preocupada com os problemas sociais e o destino do homem na terra. No conjunto de sua obra, sente-se que fica uma mensagem de esperança.


MARIA BERTOLDI deixou-se impregnar pelo componente romântico que coexiste com o sentimento trágico no conjunto das sinfonias de Beethoven. Plasmou a vida que se respira nestes poemas sinfônicos mediante representações da paisagem urbana que se vê das janelas de sua casa-ateliê, no bairro de Água Fria, em São Paulo. Trabalhou mais na linha poética da Sétima Sinfonia do que na vertente trágica da Sinfonia do Destino, a Quinta.


GIA construiu uma obra belíssima utilizando em suas esculturas-objetos perfís de alumínio fosqueado e sucatas de computadores, a elas incorporando elementos fornecidos pela tecnologia moderna como lâmpadas fluorescentes, fibras óticas rígidas, fios de poliuretano, pequenos motores e temporizadores. Algumas peças são fixas, outras se movem. A Sexta Sinfonia – A Pastoral – foi exemplarmente sintetizada na figura de um pássaro de alumínio que “voa” suavemente, movida por um motor de 18 watz provido de um sistema de ressonância mecânica, acionado por um temporizador.


O conjunto dos trabalhos apresentados pelos três artistas tem a marca de sua origem Beethoveniana: o espírito de fé na arte e na vida que ela reflete. É como se eles repetissem, em outras linguagens, os versos da ODE À ALEGRIA, de Schiller, no final da Nona Sinfonia:


“MULTIDÕES, CHEIO DE AMOR EU VOS ABRAÇO, / AO MUNDO INTEIRO ENVIO ESTE BEIJO...” 


 


Enock Sacramento – São Paulo, Natal de 1984


Membro da Associação Brasileira dos Críticos de Arte

Walter Miranda
Ateliê Oficina FWM de Artes
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